UM CHAT QUE ACONTECE DENTRO DE UMA MOLDURA

BRYAN FERRY | AVONMORE

Um filme, um corpo inerte, absoluto repouso na almofada do fim do dia, o meu corpo cai do meu dia abaixo, num fim do dia de céu que ameaça pegar fogo à noite.Uma vizinha que toca à porta, talvez por uma cebola, pena, não se fará o refogado lá em casa hoje, o corpo pesa-me mais do que o altruísmo, respeitem-me o Bryan Ferry por favor, que nunca tendo sido um génio sempre foi genial. A intenção é pura, bem sei, bem como o respeito pelo tempo que me tapa o corpo e me aquece numa noite que se vai fazer fria.

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(UNI)VERSUS

NICK CAVE – COSMIC DANCER

Houve, para eles, um certo sentido de urgência no toque da pele de cada um, naquela altura. Outro tanto sentido de urgência em que os olhos repousassem nos dos outro, para que as almas se acalmassem, as suas pupilas não saíssem olhos fora. Imaginaram tantas e tantas vezes como responderiam as vozes de cada um à chamada do universo que se agigantava então perante os seus olhos.

THESE ARE THE DAYS

EMPTY BEACH | COCO

There are the days for everything,

And then, there are the days for nothing at all,

And I, who like to live in the middle of things,

I feel so embarassed,

Not knowing where to spend my time,

I’m very interested in that time,

That runs in betweeen the hours when everything happens,

And the hours when nothing happens at all.

I swear that one day I’ll invent a dimension just for me.

Then call it whatever you want,

Because I won’t even name it.

O CONTO DO VULGÁRIO | #1

SCOTT MATTHEW | DARKLANDS

PREFÁCIO

Nasci no ano de 1970, num dia de Maio, nada de especial a assinalar, pelo que pude indagar nem ninguém se lembra se fazia sol ou chovia, está bonito, foi memorável, como se constata.

Vim ao mundo uma pessoa “vulgária” pelo que escrever um livro foi coisa que jamais me passou pela cabeça.

Muitas pessoas amigas (ou não), que no meu caso “vulgário” são sempre apenas uma mão cheia delas e uma delas estava completamente bêbada por ocasião de um casamento, já naquela fase onde os gajos andam todos de gravata na cabeça e elas descalças e de pernas abertas deixando testemunho sobre se se depilam totalmente, muito, pouco ou nada… enfim… “muitas” pessoas me disseram que eu deveria escrever um livro.

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PORQUE É QUE OS AVIÕES ESCOLHEM O CÉU PARA VOAR

SCOTT MATTHEW – I WANNA DANCE WITH SOMEBODY

Escreve-se em branco, no céu azul, o avião que nos fazia levantar da cadeira para quase lhe dizermos adeus. Como nos tempos em que famílias inteiras davam as boas vindas aos soldados , seus familiares, filhos ou maridos, acenando com lenços  brancos nas mãos, sorrisos impressos nos rostos que pareciam ter vindo para lá ficarem para ficarem para sempre, nas caras de todos e de cada um, e corações fora do peito aos saltos no cais.

E depois o sol ia nascendo, pondo-se para voltar a nascer e por aí em diante e nem tudo era assim em ouro brilho, davam-se zaragatas, pesadelos que tinham vindo nas bagagens dos soldados que traziam as pernas e os braços todos, mas tinhas deixado bocados imensos de alma naqueles campos e trincheiras. Tinham também trazido febres, medos e a certeza de que não havia canto nenhum na cidade ou no mundo  onde se pudesse encontrar a paz ou a segurança, as noites eram iluminadas a medos.

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