COMUNICADO DE ANO NOVO DO SONGS AND WORDS OF LOVE AND HATE

O songsandwordsofloveandhate vem desejar a todos um enorme 2021, embora, por favor, com menos um dia que 2020 que foi ano bissexto, ok? É que para grandes mudanças no equilíbrio do universo já nos bastam as alterações climáticas.

Aproveitamos para recordar que não obstante a merda em que todos chafurdámos, o mundo é um sítio maravilhoso para se viver, mesmo tratando-se de um monopólio que não nos deixa alternativas.

2020 não foi só uma merda, foi também a oportunidade de percebermos o pior de algumas pessoas e o melhor de outras, devemos estar gratos por isso, seremos certamente menos desagradavelmente surpreendidos daqui para a frente e para o resto das nossas vidas com pessoas que até pareciam que coiso e depois o caneco é que coiso.

Mas quem pode musicar melhor esta mensagem do que Joey Ramone através da sua genial interpretação de um tema conhecido por todos, original do Louis Armstrong?

JOEY RAMONE |WHAT A WONDERFUL WORLD
( COVER FROM THE ORIGINAL ARMSTRONG COVER SONG)

Depois há que ter calma nas celebrações do ano novo, e não digo isto apenas porque acho ridículo por-me em cima de um banco com uma flute de champagne numa mão, 12 passas na outra e com duas notas de cem euros na mão para me dar sorte ao dinheiro, bem na mão que não sobra e que faz com que na maior parte dos casos dê merda e se entorne chamagne nos vestidos, se molhem as notas e o caneco. Começamos logo bem… Também não é necessário ir para a janela bater com colheres de pau em panelas só para incomodar gajos como eu (que talvez até mereça, mas a maior parte dos gajos como eu não o merecem certamente). E por favor, se se enfrascarem em drogas ou em álcool não conduzam que os gajos que não beberam uma gota de álcool e se calhar até assim apanharam um Uber para ir para casa não fizeram a ponta de um corno para merecer levar com um trôpego ao volante e mandá-lo desta para melhor, principalmente porque não há testemunhas oculares que até hoje tenham garantido que desta se vai para melhor e pode não haver lojas de discos, tiramisús da minha irmã e bolas de berlim com creme nas praias no paraíso.

Mas quem melhor para nos musicar o tema de uma passagem de ano simples, discreta, como de quem sabe que o mundo não acaba amanhã? Ok, não sabemos se acaba, mas se todos os dias partimos do princípio que não acaba, não vamos hoje abrir uma excepção, right?
Pois, não há melhor que os Ramones, banda cujo vocalista foi meu porta escrita no vídeo em cima, para musicar o que vos escrevo.
Aqui fica, e tenham especial atenção no primeiro verso da música (e olhem que se dá logo aos sete segundo do videoclip) e reparem como estes rockers tinham já cenas premonitórias.

RAMONES | I WANNA BE SEDATED

Por último resta-me esperar que em 2021 possamos todos arregaçar as mangas, porque se se provou que não há economia que nos valha na doença, também ficou claro que não há saúde sem economia.
Conclui-se, portanto, que vamos ter que dar corda aos calcantes, dar fogo à peça, fazermo-nos ao caminho, dar o litro e mais cenas que tais e quê… porque há um importante caminho a ser feito e não há cá governos que sejam um papá com uma herança que garanta o ócio das três próximas gerações. O que temos é que ser responsáveis, usar máscara enquanto for necessário, porque a liberdade de um acaba onde começa a liberdade do outro, não sermos todos virologistas e cientistas de bancada, e não acharmos que isto é tudo um embuste. Os que vivem em negação alimentando o periquito e a teoria da cabala podem sempre ir fazer uma visita ao Hospital de Santa Maria (a entrada é garantida se alegarem febre, tosse seca, dores incríveis no corpo), mas por favor, mesmo para os mais negacionistas fundamentalistas: não, o Steven Spielberg não está a rodar um filme de ficção científica e o Estado Português (parolo como é quando se trata de lidar com as estrelas, essas Madonas da vida) não cedeu todos os hospitais públicos para ele rodar um blockbuster de 78 horas, director’s cut, estamos entendidos?


Despeço-me, espero ter-vos mais perto em 2021, em maior número, e estar à altura, mesmo sendo eu um indivíduo de baixa estatura, de vos garantir boa música, textos razoáveis, vá… e prometo que vou tentar reler os posts várias vezes para não incorrer em erros de digitação que são um turn off para quem os lê e, claro, bons conteúdos que tenham que ver com a música, a paixão pela mesma, igual com a prosa poética e… mais surpresas que sejam do vosso agrado. Stay tuned and – please – stay focused on what you gonna do for our 2021!

Mais uma vez, e estou convencido que tudo na vida ou existência se pode contar através da obra dos Ramones, nada como um tema dos mesmos para musicar esta atitude hands-on que teremos que ter.

RAMONES | BLITSKRIEG POP

A CARTA ENVIADA NUM AVIÃO DE PAPEL

NEV COTTEE | OPEN EYES

Sandra, dona de um contagiante e lindo sorriso, eternamente sedutor por muito que custe a todos aqueles que lhe caem aos pés, naquilo que julgam seu um grande sofrimento, só porque ainda não caíram na cama depois de arranharem os joelhos a seus pés, tendo então que sobreviver aos dias, semanas e até meses que se seguem.

Mas não foi assim que apareceu hoje aos teus olhos, a cruel frieza que julgaste um dia ser própria de Sandra, não é afinal apenas de Sandra, é como uma chuva molha parvos que não perdoa quem a desvaloriza, e percebes pela tranquilidade que traz consigo que também Sandra já se molhou umas quantas de vezes neste anos todos que passaram. Mas chegou feliz e com atitude de mulher resolvida, pessoa que não chegaste nunca a ter o prazer de conhecer.

Sentou-se confiante com a leveza de uma pluma ginasticada na cadeira da esplanada. Tinham passado muitos anos, e o perdão, de certa forma, tornas-nos mais benevolentes e muito mais jovens e leves, E ali percebeste que ambos se haviam perdoado por terem sido na altura isso mesmo: jovens. É que a juventude, sendo altamente invejável é alvo de condenações que a transcendem, resultando em inquisitórias acusações gravosas. O perdão, esse, chega em certos casos a ser arriscado, por ser pouco acautelado pela observação de boas práticas no outro, ou em nós próprios, mas nunca é tão nefasto quanto o rancor. Esse, o rancor, é uma força bruta devastadora de almas, princípios e valores, não olhando a meios para não ceder ao que é mais natural na inteligência e humanidade que foi dada a todos por igual.: a capacidade de perdoar, passar à frente, resolver na verdade um trauma, uma experiência menos feliz ou outra grande pancada qualquer. É apenas a história das vossas vidas e a forma como a digerem que vos faz capitular nas guerras da vida, uma por uma, de fininho, mas com determinação, roubando-vos o verdadeiro poder absoluto de perdoar, convencendo-os que a verdadeira força reside no poder de julgar e condenar. Como vos enganais.

Parece não ter sido o vosso caso, que bom. Bom para os vossos corações que podem continuar a aceitar incertezas em vez da vossa razão abrir comportas de fuga a toda a hora, até, imagine-se, em plenos momentos de felicidade absoluta, como se o amanhã fosse um perigo à espreita. À cautela é melhor condicionar a felicidade a um estado transitório que pode dar merda, tornando esta manobra na felicidade vigente. Pois pode! E então? O mais seguro nesta nossa existência, meus dois amigos, é que vamos todos morrer, quanto mais tarde melhor, está claro, mas o que realmente importa no final é aquilo que nos faz sorrir antes dos olhos se fecharem. Escolham fechá-los de sorriso estampado na cara, sem medos, porque nada acaba, tudo de regenera de alguma forma.

Despediram-se sem vontades de adeus, de até à próxima. Mais desejavam saber onde se podia jantar a seguir, afinal de contas havia duas vidas para serem contadas, sem o peso do passado, apenas com as gargalhadas que as vidas provocam, quando contadas com o devido distanciamento, de tão ridículas que são vistas de cima de um monte de tempo.

Não sei se foram para casa, se foram jantar, se se viram mais vezes, ficarei sem saber porque nunca mais vos vi. Fui-me embora, nesse preciso momento de indecisões e cerimónias, sem ver os dois beijinhos ou o abraço, ou quem sabe o “vamos no teu carro ou no meu?”, Queiram desculpar-me mas andava meio preocupado e cansado e não fazia a menor ideia que a minha vida mudaria drasticamente dois dias depois ao ponto de me levar para Tóquio, cidade onde vivo, desde então, faz precisamente hoje 7 anos. Espero-vos bem, seja lá de que forma for
Eu estou bem, continuo a tentar envelhecer a criança que há em mim, mas o raio do miúdo é sábio e resistente.
Com o amor que me compete, assim me despeço, desejando que tenham ficado amigos para sempre.

À BEIRA DE UM BOM LIVRO

KID WISE | HOLD ON

” […] A vida ensinara-me isto: o inferno da humanidade é a humanidade. Podem bem existir centenas de doenças capazes de acabar connosco, centenas de caminhos para a nossa ruína, mas tudo isso não é nada comparado com a devastação que nos pode causar outro ser humano […]”

Ahmet Hamdi Tampinar, em “O Instituto Para o Acerto dos Relógios”, ano de 1954

O TEU NOME NUM FIO DE VOZ

ALEX CAMERON | MIAMI MEMORY (DEMO)

Foi num fraco fio de voz que ouviste chamar por ti.

Paraste e não te voltaste para trás por um tempo que pareceu o necessário para que a história das vossas vidas fosse contada numa longa metragem para cinema, numa duração nunca inferior a um “Tudo o Vento Levou”.

A voz dela… que era apenas nesse momento um resto do que havia sido um dia, ancorada num peso fundeado em notas de uma dor que se instalou para ficar.

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FINGERS CROSSED

THE POSTAL SERVICE | SLEEPING IN [LIVE]

Ele – “Dava um dedo mindinho do pé para ter estado neste concerto em São Francisco.”

Ela – “Hahahahahaha! E as vezes que já disseste isso?”

Ele – “Verdade”

Ela – “Já não tinhas dedos nem nos pés nem nas mãos! Hahahhaha”

Ele – “Estás parva? Preciso deles todos para dançar e cenas! Mas que havia por aí muita gente sem dedos à minha conta, isso havia”

Ela – “E se encontrasses alguém num concerto sem dedos?”

Ele – “Disfarçava, sei lá… se calhar, só naquela, perguntava-lhe – ‘É impressão minha ou já demos dois dedos de conversa?’ “

UM COMPASSO DE ESPERNAS

GENTS | YOUNG AGAIN

É sempre tudo amanhã, sabes bem,
Sabes tão bem como a água salgada,
Água salgada que se faz tarde,
Faz-se tarde, há que recolher, é obrigatório.
Obrigado, muito obrigado, mas que remédio?
Mas que remédio nos vai salvar afinal?
Vai salvar e… porquê e de quê, no final?
No final iremos padecer dos mesmos caprichos?
Caprichos leva-os o vento, palavras para quê?
Para quê tanta esperança se é sempre tudo amanhã?

É sempre tudo para hoje, urgência desmedida,
Desmedida seja a vontade de parar e respirar,
Respirar, sim, deixar passar hoje sem o fazer,
Sem o fazer… diz ela em tom de provocação,
Por vocação vai qualquer um que seja obrigado,
Obrigado, mas não quero, tenho sonhos combinados,
Combinados estamos todos com a morte, sem falta.
Sem falta não se lhe dá o valor que merece.
Merece a rapariga tudo aquilo que parece?
Creio que apenas tem mais passo que perna.

UM POEMA ESCRITO NO BORDO DE UM PIANO SEM FIM.

CHARLIE HADEN & GONZALO RUBALCABA | EN LA ORILLA DEL MUN DO

Pediu-lhe primeiro que lhe dissesse o que gostava mais nela para logo de seguida lhe pedir que lhe escrevesse um poema, como se a prosa poética fosse assim, uma colecção de bolso de palavras como peças que, dê por onde der, encaixam sempre umas nas outras acabando numa paisagem que nos corta o fôlego.

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AS VIDAS COR DE ROSA SOBRE FUNDO DESCONHECIDO

HAZEL ENGLISH | OFF MY MIND

É no gelo dos dias que dela se faz medo no fundo da sua existência, um existência que não entende lá muito bem, mas não será por isso e pela vontade de não permitir que os seus fantasmas se intrometam entre si e o seu espelho, que eles vão deixar de existir e manifestarem-se da forma que bem lhe aprouver. Já deveria saber que os fantasmas não aparecem nas selfies, nem nas fotografias de grupo. E estes, os que moram dentro de nós, nem se denunciam num clarão. Esses são os dois filmes do cinema e dos filmes que fazemos para “piadar” com o assunto.

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POEMA DE UM HOMEM, ESCRITO A SEIS CORDAS DE UMA GUITARRA

GABRIEL NAÏM AMOR | BACKPORCH MOMENT

Um tipo sabe lá o que lhe vai na alma quando a alma não é pequena e por lá se podem encontrar caixas e caixotes. Tudo arrumado, é certo, mas tudo a bulir, a queimar carvão, a derreter borracha na estrada da vida, a banda sempre a tocar e mais o caneco. E depois um fica baralhado com tanto movimento.

O caneco é aquilo que todo o ser parte de vez em quando só por estar vivo, é o dar merda, depois há pessoas que só nasceram para isso e outras que quase não partem um caneco durante a vida inteira, e o que partiram é assunto nos ajuntamentos da família até mesmo depois da sua morte.

“Lembras-te quando a avó Ilda passou aquela tarde a falar com aquela miúda e a chamar-lhe Jorge, porque achou que ela era um rapaz?” – e Todos se riem muito, já com a avó Ilda estendida na sua espreguiçadeira lá num bar de praia no céu.

É então que a prática de partir o caneco exige demasiado saber e sentido de equilíbrio, por um lado pode fechar a porta dos céus à chave para uns ou, se doseado com sapiência, garantir a imortalidade e ao mesmo tempo fazer com que o nosso nome esteja na guest list do Paraíso.
A imortalidade, essa, é sempre garantida, até para os que não fazem outra coisa senão partir os canecos todos: os deles e os dos outros. Podem é continuar o caminho a rastejar por falta de membros e verem-se a mudar de pele duas vezes por ano e a levar refeições frugais de sapos se querem seguir uma vida santa, caso contrário, em caso de fartos repastos gastronómicos estão condenados a pagar a pronto o pecado da gula e, no comer de uma cabra-de-leque, não saem sequer da mesa sem fazer a digestão até ao fim, processo que pode levar dois ou três dias, sem direito a um medronho ou qualquer outro digestivo

A prosa poética de um fulano chamado Gabriel Naïm Amor, que se diz do UK e de França, não parece ser grande coisa. A obra, é curta e instrumental, antes assim. A fraqueza da sua poesia é assim facto comprovado com uma presença numa colectânea onde canta em francês.
É pena, pois havia muito bom poeta de coração cheio de versos por bombear que daria cinco dedos dos pés e três das mãos para se chamar Gabriel Naïm Amor e poder então semear toda a poesia que nele habitasse com um selo de prestígio e qualidade percepcionada à priori.
Mas o verdadeiro Gabriel poema a seis cordas, desafiando-nos a soltar o artista das palavras que morar dentro de nós, assim, de fininho, num manto branco de linho fino com notas de guitarra bordadas.

UNCENSORED, I CAN TELL YOU

IAMX | STARDUST (UNCENSORED)

Chris Corner nunca brincou com a sua música como sempre levou muito a sério o seu lado performático, aliás, tão cru e underground como a sua música. Com o que brinca é com bonecas e bonecos, mas isso é completamente irrelevante quando ultrapassa a performance e a estética glam que nos remete para uns Roxy Music com Bryan Eno e até para um Bowie.
Conhecido por poucos em Portugal, se não mesmo no mundo inteiro, tem um público muito fiel porque tem já uma longa carreira em que quase tudo é bom. Há um enorme denominador comum em toda sua discografia e das poucas vezes que se desviou desse caminho, não soube “agarrar” o seu público pelo ouvido.

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BOA NOITE, DIA

JÓHANN JÓANNSSON | GOOD NIGHT, DAY

Nunca tinha havido uma estação do ano que durasse tanto tempo, que desse para tanto, que fosse para o sol como era para a chuva. O mundo rodou e rodou e a estação corria atrás da Terra, envolvendo-a num manto de medos e cataclismos, de desesperos e fatalismos. Os bafejados pela sorte nem se lembraram que era príncipes, os fustigados pela vida nem se lembraram que para eles tinha sido sempre assim, por qualquer outra merda que os fodia sempre.

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UMA HISTÓRIA SIMPLES

HANNAH GEORGAS | PRAY IT AWAY [FEAT. MATT BERNINGER]

Se há coisa que nunca fez foi falar sozinho, por muito que estivesse que estar sempre a falar, era mais forte que a sua inquietação, imaginação e necessidade de partilha do pensamento. Para tal criou três pseudónimos e fez questão que dois deles fossem mulheres, ficava mais equilibrado assim: dois homens e duas mulheres.

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SLOW TIME MACHINE

THE SLOW READERS CLUB | LUNATIC

Velhos os tempos, novas as vontades, presentes as saudades, como se tudo te pudesse acontecer novamente, com os mesmo ingredientes, mas com outros prazeres. Uma máquina do tempo, talvez, que te leve ao passado com tudo aquilo que trazes hoje na experiência e no saber.

Às vezes apetece-te ser o mesmo outro que foste um dia, mas escusas-te a ter o trabalho que te fez chegar ao homem que és hoje. A música é ainda uma boa máquina do tempo. E essa sim, faz-se nova com todo o saber acumulado de anos e anos de outros sons, mergulhada em influências que te fazem viajar por mundo incríveis em apenas segundos em que fechas os olhos para lhe dar atenção.

Faz boa viagem, passa num instante mas não parece. O bilhete é sempre barato, nunca sai caro e compensa. Aproveita cada nota, cada linha de baixo como seu o mundo se fosse fazer apenas de agudos.

“COVERS” OU NÃO “COVERS”?

NATION OF LANGUAGE | GOUNGE AWAY [PIXIES]

São raros os “covers” que me convencem à categoria do “respect”.
Eu diria que um “cover” de Pixies seria impossível fazer com que tal acontecesse. Bem, em boa verdade é “practicamente” impossível. E a explicação é simples e a minha falta de imparcialidade também: é uma das bandas da minha vida, como a maior parte das bandas da minha vida foram-nas porque criaram uma sonoridade muito própria e criaram no universo da música um espaço só delas, porque os temas eram na esmagadora maioria dos casos muito bons o que lhes conferia uma consistência que está ao alcance de muito poucos (nunca era igual, mas trazia um fio condutor ou denominador comum que funcionava como uma marca d’água que os autenticava como obra de arte).

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O POEMA DE UM PIANO DE CAUDA NO SALÃO

NICK CAVE | HE WANTS YOU [LIVE AT ALEXANDRA PALACE 2020]

É aqui, neste disco absolutamente de génio em bicos de pés, que o piano fala mais alto, não obstante Nick Cave ter uma extraordinária voz, mas aqui, também com mérito deste cantautor entre os melhores das últimas três décadas, o piano diz-te tudo o que queres ouvir, não mais.

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NÃO HÁ UMA MÚSICA TRISTE

STAN GETZ & CHARLIE BYRD | SAMBA TRISTE

Conheço cada acorde deste maravilhoso disco, como conheço cada acorde de todo o trabalho que João Gilberto (o pai biológico da bossanova) fez com Stan Getz. Bem, depois sobre Stan Getz diria que tenho quase tudo. Mas grande parte da história da bossanova pode ser musicada nas várias gravações de João Gilberto e Stan Getz, bem como nas gravações que Stan Getz faz nos Estados Unidos da América, com Big Band e neste disco com Charlie Byrd se conta basicamente a história da exportação da bossanova, onde Stan Getz tem um papel fundamental.

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