A BRECHA NO CORPO COM VISTA PARA A ALMA

HOLLOW COVES | PATIENCE

O que mais belo existe na escrita, poesia ou prosa poética, é que ela é tantas e tantas vezes um fato à medida para pessoas de diferentes constituições físicas . Ela assenta bem, elegantemente, como se tivesse sido escrita para uma determinada pessoa, mas são tantas e mais tantas as que vestem as palavras com o mesmo encanto, vaidade ou amor próprio.
Por vezes choram ao espelho porque sentem na textura das palavras um tecido que lhes toca em zonas de que procuram fugir, às vezes gargalham-nas porque as lêem no sítio certo e à hora certa.

Resta-nos saber, quando isso acontece, se quem as escreve anda à volta de lugares comuns ou consegue ver com mestria e aproveita a brecha nas paredes dos corpos que lhe mostra onde é que as almas são afinais todas todas iguais e onde é que nem por isso.

Depois haverá os que ficam mais tranquilos e mais seguros sabendo que somos muito iguais uns aos outros, e os que pelo contrário se desiludem e até sentem o perigo da previsibilidade da espécie.