A RECEITA DINAMARQUESA

KIRA SKOV | EVERYTHING REMINDS ME OF YOU

Os ventos no norte puseram-se em pé, num encadear de notas que piscam o olhos ao jazz, mas seguem a sua própria identidade, ora através do jazz, da música clássica contemporânea, ou assumindo aqui a tradição que não escondem, embora a fundam como uma liga de um metal precioso, talvez parecido com os metais com que se faziam as espadas que invadiram em tempos as terras do sul.

Há uma nova invasão bárbara, mas desta vez feita por homens e mulheres que vestem o que de mais elegante se desenha, que de bárbaros nada têm.

Aqui não se querem nem mortos nem feridos, apenas uma onda de um gosto apurado e sentido estético expresso na música, do jazz a um estilo como o de Kira Skov, a que o Discogs chama de rock. Bem, tssst tssst…

Há em Kira influências várias: escocesas, irlandesas e até espanholas descubro numa guitarra e numa voz algures pelo meio do disco que contém este tema que vos deixo.

A editora, a Stunt Records, muito bem entregue em Portugal, nas mãos de um distribuidor que tem o mais importante para acrescentar alguma coisa ao que a editora já entrega: uma paixão pela música de há muitos anos que desagua numa grande cultura musical vasta e eclética. Ainda por cima trata-se de uma pessoa com quem se pode estar em amena conversa, em pé, até que o tempo nos mande seguir a nossa vida, quando temos a sorte de o encontrar na Distopia, discoteca na Rua de São Bento, em Lisboa, que não escondo ser onde compro praticamente toda a minha música. Tanto a Distopia como a Stunt Records são em parte responsáveis por considerável aculturação minha, primeiro ao jazz que se faz pelos países do Norte da Europa, contemporâneo e melódico, depois este “rock” ou “pop rock”, o que lhe queiram chamar, para mim é indiferente, já que o que conta no final do dia é se é bom, se dá prazer ou se, pelo contrário, não acrescenta nada de novo.
Nos piores casos resulta mesmo num tempo inútil, o que faz parte da curva de aprendizagem de qualquer disciplina.

Há neste tema, particularmente em alguns fios da voz de Kir Skov, um terroir de solos irlandeses, com notas de ouvido na vocalização de Kir, que remetem para uma Sinéad O’Connor, o que não lhe deixa de conferir uma identidade própria porque já nada se faz sem referências. Mal seria que os músicos que chegam aos escaparates não tivessem já ouvido muita música antes de começarem a fazê-la e não deixassem a cultura entrar.

De resto, é muito provável que venham a ouvir por aqui mais música proveniente desta editora discográfica, de selecção apurada, a “Stunt Records”, um braço da “Sundance – The Scandinavian Music Company”.
Atentem bem nestes senhores que fazem um trabalho muito sério, muito diferenciado, que vale a pena ter nas colecções de discos mais ecléticos e exigentes. A loja online da Distopia é o canal certo para comprar e o serviço prestado pela “Stunt Records” é muito bom.