ASSUMIDAMENTE INCÓGNITO

WORKING MEN’S CLUB | BAD BLOOD

Encontro-te na cave, nesta linha de baixo, no dance floor das noites que se fazem por esquecer, tantas e tantas vezes sem sucesso. Mas há sempre a música, os locais para que nos transporta o grave baixo, os alter egos que acordam em nós, and so on and so on. A voz e a guitarra, lá está, seguem a linha de baixo que comanda os destinos, as delas, o teu e o meu. E tudo são luzes que se fundem em cores impossíveis, pessoas em movimentos slow motion, sombras contra a luz ou corpos luminosos a favor dela. E nós, na brava dança de corpos que dão tudo, mágoas deixadas à porta de casa, num caixote qualquer, entregamo-nos numa luta corpo a corpo que se faz de paz e desejo. Estas eram os noites passadas, em dias de fumo e fogo, na cave de um clube nocturno a que desejamos vida eterna.

Aqui, nesta casa, todas as noites se criam seitas e religiões, com códigos e doutrinas próprias, que acabam ao fechar da portas ou no desfecho dos destinos dos que dali saem para irem pregar aos pares para casa.
Amanhã sempre foi outro dia, e não há excepções. Uns deixaram a porta fechar-se nas suas costas e foram felizes para sempre, outros ficaram por mais uma horas, e quase todos voltam fiéis aos princípios da catedral que não deixa ninguém à porta, por cor, credo ou farda. O Incógnito nunca foi um local de culto, mas do culto de cada um. E assim, uma inteira legião de fiéis aos mandamentos da música, inscritos em pedras, todos os dias pelo líder por detrás da mesa de mistura, aguardam com entusiasmo a abertura das suas portas pintadas de fresco.