BREAKFAST’S A BITCH

NADIA REID | RICHARD

Susanne Vega – “Olha lá gorducha, achei aquele “Richard” muito eu sabes? Tipo aquela foi mesmo a copiar-me, não?”

Nadia Reid – “Olha, tu não me digas essas coisas que eu sou uma pessoa que sofreu de bullying na escola porque era gorda e usava uns óculos com lentes tipo tijolos de vidro”

S – “Não te faças de vítima, tu nem imaginas o que eu sofri de apalpōes no rabo, nas maminhas, aquilo era um inferno”

N – “Aí… imagino. Eu cá fui apalpada no rabo pela primeira vez aos 20 anos e foi à noite, eu ia no passeio e eles vinham de mota. Fiquei sem saber como me sentir, mas lembro-me que dormi muito bem… Tu não sabes o que é isso de ser gorda!”

S – “Mas tens que ter mais cuidado com a alimentação não?”

N – “Mais? Eu tenho uma boa alimentação, estúpida. Não percebes que isto é genético?

Waiter- “Olá senhoras, então que vão querer lanchar? Já viram a carta?

S – “Sim, olhe… para mim vai ser a salada de cogumelos, com queijo feta e agrião com azeite bio e vinagre balsâmico, e para beber quero um chá frio de lima e gengibre.

N – “Eu vou querer o folhado de chaves, uma dose de pão de queijo e um batido de chocolate, sim? Obrigado”

S – “Lá está….”

N – “O quê?”

S – “Nada, nada, estava só a dizer que lá está aquele rapaz da bicicleta que faz uma festa sempre que me vê”

N – “Que sorte a tua….”

S – “Sorte? Óh minha querida, a sorte dá muito trabalho a construir, principalmente nesta idade. E tu que ainda és uma miúda… valha-me Deus!”

N – “Pois, percebo. Olha, já o azar não dá trabalho nenhum”

S – “Pois… é como os folhados… mas olha, o que queria falar contigo é que se calhar já me pagavas uns royalties pelo tema “Richard”, não?”

N – “Ai mulher, mas porque é que eu iria fazer uma coisa dessas? Eu, que ainda vou no início da minha carreira. Ainda não me saiu nenhum “Luka” na lotaria, percebes isso?”

S – “Olha, nāo te queixes que se tivésses apanhado umas boas já te tinha saído de certeza, mas também sempre vestida dessa maneira, com esses óculos… estás a ver…? Vou-te dar o contacto do meu cabeleireiro, a ver se dás um jeito nesse cabelo.”

N – “Que lata pá! Tu já olháste bem para ti, mulher?”

S – “Mas o que foi?”

N – “Nada de especial, nada de especial, pareces um óleo renascentista que fugiu do museu num dia de chuva ácida, é só isso”

S – “Cabra!”

N – “Tu é que começaste, agora não te faças de vítima.”

S – “Olha, mas não desvies a conversa, esta bem? Vamos lá falar e chegar aqui a um acordo que seja bom para os quatro”

N – “Quatro?! Mas que quatro?!”

S – “Ah…. parvoíce a minha. Três: eu, tu e os meus advogados. Esqueçe, estava a pensar no meu cirurgião plástico mas isso foi por outra coisa”

N – “Olha Suzanne, eu não quero arranjar problemas, mas filha… se tu não estás cheia de pasta é porque não andas a gerir bem as tuas finanças minha linda. Precisas de ajuda… Talvez eu possa ajudar, de alguma forma, sei lá…(?)

S – “Pois! É disso mesmo que eu estou a falar!