LIFE ON MARS

CHATHAM COUNTY LINE | STRANGE FASCINATION (FEAT. SHARON VAN ETTEN)

O tudo era um fio de sentimento, gostaria de arrancar dele algo maior, algo mais substancial, tornar fio em corda, em cabo para usar a linguagem de marinheiro, mas o vento soprava noutro sentido. O vento aqui sopra sempre de Norte, está visto, e não é no Sul, pelos vistos, que reside o coração, deve andar a falar espanhol ou a balear no fundo atlântico da água que nos separa de Oeste. Paciência, insuportável seria viver sem poesia, sem música, sem imagens e pincéis, sem filmes nem vinho a copo.

Entretanto alguém diz que acredita no amor, na mesa de um jantar. Ora que coisa original de se dizer. Mas há quem não acredite? Que o amor existe é tão inegável quanto a existência de Marte, agora acreditar que se pode viver em Marte, venha lá alguém dizer isso, contra toda a ciência, dizer que é possível, desejável, romântico e o caneco. Pois, ninguém levanta o cú da cadeira para brindar a isso, é nessa altura que todos olham em volta, procurando o empregado do restaurante para lhe pedir o que lhes vier à cabeça no momento (que seja vinho, por favor…), ou que elas pegam no telemóvel que está pousado na mesa que nem um garfo ou que em alguns casos dorme numa carteira sem fundo, daquelas capazes de engolir um homem que vá lá buscar alguma coisa e que desapareça para todo o sempre como no Triângulo das Bermudas. Mas disfarçam, na procura daquela mensagem que esperam a qualquer momento e que até se esqueceram e tal, vejam só.

Pois que não basta amar, é preciso saber viver em Marte para se dar o pleno, é preciso engolir um osso de frango ou mesmo o osso de uma pata traseira de um javali e seguir respirando, vivendo, em suma andando para a frente sem cair para trás.
Sempre que vejo um daqueles casais de velhinhos, felizes, de mão dada, altamente ternurentos um com o outro, penso que ou se passeiam assim e depois chegam a casa e descansam tornando-se ambos invisíveis aos olhos um do outro, ou então quando começaram a nascer os meus pais desataram a meter merdas na água canalizada, engarrafada, na do mar e o diabo de quatro.
Posto isto vou escrever algo que se assemelhe a uma cena sentimentalóide, talvez ver um filme melo dramático, algo que me faça sentir uma pessoa com profundos e nobres sentimentos. Não, pensando bem vou ouvir um disco ou ler um livro, sinto-me mais ligado às emoções quando faço essa merdas, aquecem-me por dentro.