O RAPAZ DAS VÁRIAS VIDAS

MXMS | PARIS

Um sonho, um sonho mais e vou-me embora de ti para sempre.
Para um planeta qualquer que tenha anéis, quatro luas e dois sóis.


Por quem és? Por mim não és certamente, pois tudo não vale nem a pena.
E a alma, essa, vai pequena, e se brinco é porque há coisas em mim,
Das que não quero levar a sério.


Mas que me pesa este andar carregado de saudade, pesa uma doideira.
Foram dias a mais, todo e cada dia, cada garrafa de bom tinto, até cada noite bem dormida.


E eu sou uma saudade que nunca bateu por ti antes,
E te juro ser uma saudade que não terás jamais, tu verás,
Se os olhos da alma não te traírem como me trai a alma ao sentir-te perto.


Estando tu tão longe da pedra que bate por ti e que vive no meu meio,
Não é de sorte que se faz a sombra que me acompanha, nuvem sobre mim.
Acordo em metáforas, espreguiço-me em versos, levanto-me em poemas parvos,
Só porque imagino, às escondidas de mim, que ainda és tudo,
Numa quadrada mentira, de arestas vivas que ferem.


Transpira-me a vontade, contraria-me por favor.
E pelo quarto entra uma canção com o sol nos braços,
Para mo entregar, pousando-o nos pés da minha cama,
Como uma canção familiar, que contêm nela uma grave saudade.


Este não sou eu, sou outro, um poeta entregou a alma ao corpo, coitado.
Pois fico eu entregue às suas lágrimas secas, ao tempo que passou,
Ao talento para sempre perdido, há algo escondido nesta poesia,
Que não se revela assim fácil, é preciso mergulhar em tudo o que é sentimento,
Mergulhar profundamente, numa apneia sem fim.


E depois? Depois sabes que é o fim, e que o o fim é igual ao princípio,
E que o sentido de um e de outro é um mesmo caminho,
E que sentido faz fazer um mesmo caminho para chegar a um lugar diferente?
Tudo é em vão, tu verás, eu não, eu jamais saberei, eu sou de adivinhar e ficar sem saber.
Adivinho não me adivinhando a mim mesmo, porque a mim eu invento-me muitas vezes.
Sabes tu quantas vezes já eu nasci?