SÓ VALEM A PENA OS CAMINHOS DE CORAÇÃO

CÉU | CARINHOSO

Por vezes não nos resta mais do que a verdade, doa a quem doer, sofra quem sofrer. E tantas e tantas vezes, da verdade, sai magoado quem a entrega com dignidade, assim como sai magoado quem a recebe com igual dignidade. Assim é quando se encontram ou desencontram duas almas de valores ao alto, humildes, falíveis, mas de coração no sítio certo.

Penso que o contrário de verdade, que nem sempre dá pelo nome de mentira, tal como uma bactéria, se alimenta da água da coragem que num reside, mas que não a encontra para falar a verdade. A verdade, muitas vezes, demasiadas vezes, não é o caminho mais fácil, nem a a escolha menos dolorosa, chegando mesmo a ser a resposta mais violenta ou mais odiada. No entanto, “é o único caminho com coração”, como diria o índio Don Juan ao seu aprendiz Carlos Castañeda. E assim é toda a verdade que não resulta de uma mentira que se tornou insuportável carregar e que se fez então verdade por desespero e por um último fôlego de sobrevivência.

A consciência, essa, nos campos abertos da verdade, não pesa. Dói, mas não pesa. E a dor passa, o peso carrega-se. O coração regenera-se nas honestidades enquanto escurece nos enganos. Se assim não fosse, porque se entristecem os homens honestos apenas porque foram honestos? A verdade é um conforto certo de longo prazo, mas que não serve todos da mesma forma imediatamente, e o altruísmo também pode ser cruel no curto prazo. A ironia faz das suas, pelas mãos dos bem intencionados, pelos actos dos justos. A verdade não é um porto seguro, é apenas o melhor porto para atracar e lá ficar.