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TO FIT IN

THOMAS FEINER | YONDERHEAD

Every poem is someone’s poem,
And when a poet has nobody ,
He creates a story with a caracter,
To fit in somebody’s heart.

So every poem is somebody’s poem,
But not everybody has a poem,
Or a poet to fit in,
But you have both, my love.

There’s nothing you can do about it,
You can chose to hide,
Or just let me choose for you,
My poem and your poet, my love.

PUTA DEMOCRACIA, A QUANTO OBRIGAS

COUNTING CROWS | HANGINAROUND

Cara democracia,

Espero que não tenhas contraído o vírus maldito do Covid-19. Perguntar-te como estás de saúde não vale a pena pois sei-te mal há muitos anos, e tenho assistido à falência dos teus orgãos vitais com um aperto no peito. És o maior fracasso para as expectativas de todos aqueles que por ti lutaram e pelos que sobre a tua égide nasceram e têm vivido, todos na esperança que atinjas uma maturidade, como se o teu destino estivesse nas tuas mãos e não nas mãos de gerações de oportunistas que se têm regalado às tuas custas e garantido para eles uma estabilidade e segurança, bem como para as gerações vindouras das suas famílias chegadas e amigos.

Sabes que há anos que te digo na cara que apenas deves esperar um destino de falência, por falta de crédito bancário, social, e há anos que digo que serás tu o bode expiatório da ascensão de uma nova geração de oportunistas mas, desta vez, já que ninguém consegue extorquir mais à liberdade, terão de viver à custa da falta dela e de uma autoridade total, sem limites, desenhada à régua da escolha entre bons e maus, e a um esquadro de injustiças contra as quais será difícil lutar, proibido contestar e criticar.

És a maior empresa de gestão de recursos humanos, financeiros, das liberdades e deveres, com o plano estratégico mais bem desenhado, mas és a maior falência da história do mundo moderno. E porquê, se não tens concorrência, foste desenhada para ser um monopólio sem os poderes nefastos dos monopólios económicos, pensada para dar voz a todos, até aos que não podem falar? Porquê? Tinhas tudo para prosperar.

Claro que sabes tão bem quanto eu o porquê. Na verdade não tens sido governada, antes tens governado tu as vidas dos que supostamente deveriam fazer o governo da tua casa, escolhidos cada vez por menos e cada vez mais escolhidos por falta de comparência do que por actos de vontade e convicção. Porque já ninguém acredita em ti, indirectamente, é certo, mas no final do dia o resultado é o mesmo.

Perdeste a batalha da justiça, a corrupção põe-te debaixo do braço como um peluche de uma criança e remete-te para casos de roubos de arrecadações, infracções de trânsito, bandidos pobrezinhos que não estão em posição de grandes roubos. E repara que sempre que aparece alguém empenhado em mudar isso, os parolos que te representam juntam-se todos e fazem-lhe a vida negra até que esse herói fique sem crédito, sem coragem, ou apenas com vontade de ser feliz e pronto, pouco interessa no que resulta, interessa mesmo é que para esses nada resulte.

Também perdeste a batalha da educação porque o teu sistema é permeável a que os pobres de carácter e de mundo, e já agora deixa-me sublinhar “de mundo”, porque te tens feito representar por uma vasta cambada de parolos sem experiência de vida, sem “soft skills” para mais do que gerir negociatas de feira ao ar livre para venda de “bibelots” e pechisbeques vários, pelo que nada mais lhes resta que andarem a cravar almoços a quem tem dinheiro para os pagar, porque como qualquer parolo que se preze, pode-lhe faltar a educação, a inteligência e a capacidade de fazer algo relevante, mas nunca lhes falta nada que lhes caia mal na aparência. Tens sido exímia em proporcionar-lhes as aparências, para que pareçam aquilo que nunca foram, querem ser, mas também nunca o serão na verdade. Mas como não há justiça também não temem o juízo, e até mesmo os crentes em Deus e que acreditam no juízo divino jamais se conseguem rever a serem privados seja do que for, condenados seja pelo que for, tal é a bebedeira da parolagem.

E assim tens sido um joguete ao serviço das aparências destes inúteis. Não quero retirar o papel que as pessoas deste pequeno mundo que é Portugal, mas que ainda assim é bem maior que o circulo dos meus amigos, dos amigos dos meus amigos e dos personagens da vida social, a real e a virtual, a das revistas e a dos círculos intelectuais, académicos, enfim, todos os que podemos ver. Há uma larga camada de pessoas que são invisíveis apenas por não terem nada de sensacional para mostrar.

A maior parte da população, essa que não vai votar porque acha que não vale a pena, não percebe, ou não quer perceber quando o sol se faz quente, a chuva se faz molhada, o clima se faz frio, o fim de semana tem um feriado, que não ir votar não é o contrário de ir votar. Não ir votar é fácil e legitimamente confundivel com “não sei; “não quero saber”; “façam o que bem entenderem comigo” ou mesmo “estou-me a cagar para a política”.

Pois é senhoras e senhores, assim a política e os políticos também se estão a cagar para vocês, e agora? Também não sabem, não querem saber, fazem o que bem entendem convosco. E então? Não tivessem vocês a sorte de haver um número inferior às cabeças contadas na vossa irresponsabilidade e já estariam todos presos só por dizerem uma bacorada qualquer que não caísse bem a um anormal qualquer que vos governasse.

Eu? Se voto? Em quem? Eu, infelizmente, há anos que não me sentindo representado por nenhum exemplo por que sinta admiração e confiança, que mude o sentido do jogo (das pessoas para os políticos / dos políticos para as pessoas) não vou à praia sem ter ido votar, não vou para fora da cidade e se alguma vez estive fora do país, pois não me recordo. Há anos que me levanto e saio à rua de t-shirt, guarda-chuva ou o que for adequado, para ir fazer um voto nulo, sabendo que se um dia os resultados eleitorais fossem 40% dos votos repartidos pelos partidos e 45% (vá….) de votos nulos, escusavam os comentadores das noites eleitorais de tentar interpretar a abstenção como lhes convém a eles e aos seus amigos, sendo que todos, mas principalmente os partidos e os os seus soldadinhos de latão, teriam que confrontar-se com uma resposta diferente, que poderia ser lida de várias formas mas sempre entendida como: “Estamos vigilantes, vocês não nos representam, mudem esta merda porque nós estamos aqui a ver-vos e não estamos a gostar do que estamos a ver”.

Porque é para isto que nasceste, Democracia.
Mas hoje obrigaste-me a ir às urnas e votar mesmo em alguém, tal é a falência em que te encontras. Apenas porque sei que não obstante a merda em que estamos mergulhados, as coisas podem sempre piorar. E não é preciso sermos inteligentes para percebermos esta possibilidade, ela acontece-nos várias vezes e em vários planos da nossa vida: Não obstante a merda em que estamos mergulhados as coisas podem sempre piorar!

E foi por isso que me levantei do meu sofá, fiz uma pausa em tudo o que tinha para fazer, para ir votar, desta vez num mal menor. Votar num mal menor é dos buracos mais tristes onde podemos cair. Bem, se calhar não é…. porque não obstante a merda em que estamos mergulhados as coisas podem sempre piorar.

Deixo-te uma música alegre e bem disposta porque deves andar toda amachucada.

A SEAGULL WITH A THOUGHT

Photo: @thelisbonshooter

THE THE | I WANT 2 B U

Well, you know? I really don’t give a shit about that thing “a-like-for-a-like”, just because I know how to fly by myself since the first days of my life. So it’s natural for me, and it get’s more natural as time goes on: if I like, someone’s get a like, and if I don’t, I simply move on and scroll down. By other hand (or wing, to be more precise) I don’t expect a like if you like, just because life isn’t really about that. I guess people are making guns with liking, not liking and desliking, you know? If it’s sad? Well, it is what it is… Me..? I’m just a simple bird with a social media account.

SOBRE ir PASSEAR O CÃO

BALTHAZAR | YOU WON’T COME ARROUND

Não sabes de quantas primaveras se faz a história destes rapazes, diz-te o Discogs que editaram o primeiro single há 12 anos, como não sabes o dia não lhes sabes contar as primaveras, mas pouco importa. O que importa é que te bem dispõem, que te fazem sentir a inocência de que se faz a dada altura a música de uma banda. Acontece que inocência artística não é bem o que se pode encontrar neste projecto Balthazar, já que a vocalização e escrita dos temas está a cargo de Jinte Deprez, que tem também o projecto a solo J.Barnardt lado a lado com o talento musical de Marteen Devoldere dos Warhause.

Assim, há uma sobreposição de primaveras que totalizam mais tempo do que te possa parecer, num conjunto de excelentes experiências musicais e que convergem nesta musicalidade arejada e oxigenada de Balthazar, fácil de digerir com qualquer prato. Não conhecias Batlhazar, mas não é coisa que vás esquecer, sendo até projecto que recomendas.

E é por isto que todos os dias, de madrugada, levas a passear os auscultadores, juntamente com homens e mulheres, miúdas e miúdos, que levam os seus cães a fazerem as suas necessidades e a desentorpecerem as patas e as costas. Um dia destes levarás um cão teu chamado Miles, e juntos educarão cães e pessoas a musicar as passeatas matinais e de fim de tarde, só porque o saber não ocupa espaço, principal e generalizadamente nos animais, já as pessoas põem muitas resistências às coisas novas e às novas formas de as fazer (as coisas, claro).

O CANTO DA SEREIRA

HOLY ESQUE | REVERENCE FALLS

Criança, homens e mulheres, esmagam-se contra o respeito e a liberdade de cada um na tentativa de embarcarem naquele navio que parece ter sido resgatado do fundo do mar. Não sabem ao que vão, apenas do que fogem. Mais vale ficar a meio da viagem, no fundo do mar, que continuar a ter apenas pesadelos todos os dias, acordados e a dormir. Ao menos terão umas horas pela frente para sonhar, para sentir o nervoso miúdo de chegar ou não chegar a um país que onde as pessoas possam escolher em que passeio caminhar, onde a pobreza possa ser um ponto de partida para outra coisa e não seja sempre o caminho e o ponto de chegada. Terão horas para sonhar com uma qualquer terra prometida, porque aqui não chegam nunca a valer uma vida que seja, e todas as promessas são intenções de punição, ou por nada ou por ódios herdados à nascença.

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