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A PESTE A CÉU ABERTO

STEPHAN MOCCIO | OW

Nas cordas deste piano há mais mundo que nas notícias,
Que te inundam o pensamento e te arrasam a esperança.
Porque há cidades a preto e branco que definham sob um céu azul.
Há medo, há medo de ter medo, e há lobos que de medo se alimentam,
Ferozes, que percorrem a cidade branca, que já se espraiou um dia,
No rio de felicidade que edificava já um modesto orgulho.
Mas a morte acordou e foi para a rua, impiedosa,
Aos olhos de quem a vê,
Mas pelas costas dos que escolheram negar a sangria,
Mas que seguiram o mesmo rumo que todos, incrédulos, em negação,
Não sabendo, idiotas, que a morte não joga jogos de sorte e de azar.
É bruxa que acerta e não concerta planos com ninguém,
Só os lobos rondam a morte, à distância, a medo, esperando de fome.

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THE POEM LIES IN THE CLOUD

RENÉ AUBRY | SÉDUCTION

Meu amor, falar do belo é seguir com o olhar os teus passos nus no soalho, esculpidos por divina arte no desenho dos teu pés. Admirar-te e esperar-te no conforto da minha alma é saber que vens pousar a tua face no meu ombro a cada dia, é procurar-te no escuro, encontrar-te num fio de respiração que arde em desejo, é morrer nos teus braços todos os dias e provar da imortalidade de que somos capazes.

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UM CONTO DE “CÃOVALHEIRO”

KHATIA BUNIATISHVILI | LA JAVANAISE (SERGE GAINSBOURG)

Também toca muito Bach, mas embora eu adore Bach assim como preciso de beber água, gosto especialmente de a ouvir tocar a “La Javanaise” porque ela lhe dá andamentos divertidos e é um tema feliz. O Miles começa a abanar a cauda e a acelerar o passo quando começamos a ouvir a música, coisa que acontece quando ainda estamos a ver a porta ao longe, mas Javanaise, nome com que baptizámos a rapariga, gosta de tocar de porta aberta, dir-me-á um dia que gosta do ar e da luz a entrar e que, entre peças, gosta de ouvir as pessoas na rua dela, onde practicamente não passam carros e onde ainda há bastantes crianças a brincar na rua.

Mora no bairro ao lado do meu, rua com rua, porta com porta, já que uma porta pertence ao meu bairro e a porta logo a seguir pertence ao bairro vizinho, porta da casa onde ela mora. Nessa casa onde começa o bairro vizinho mora uma rapariga que estuda piano eu eu chamo-lhe Javanaise porque já a ouvi a tocar a “Lá Javanaise” de Serge Gainsbourg quando por lá passo com o cão. O Miles, o meu cão, pára sempre em frente à porta dela. Ela tem uma casa que não é um prédio e tem apenas um piso ao nível do olhar do Miles com um piso único e a entrada dá para uma primeira sala que dá abrigo ao seu piano de cauda e pouco mais.

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