Arquivo de etiquetas: ELECTRONIC

TRATADOS

SON LUX | EASY (FEAT. WOODKID, LIVE AT MONTREUX JAZZ FESTIVAL 2016)

Não foram raras as vezes que ouvi do António que “os números são letras sem asas”, explicando ele e muito bem que por isso eram letras desprovidas da capacidade de sonhar, de criar, de se reinventarem a seu bel-prazer. Somos amigos desde sempre, hoje sabemos bem que para sempre, e temos em comum, entre tantas outras coisas, o gosto pelo potencial poético das letras e um certo jeito para os números, mas tão só apenas para com eles desenharmos complexas equações que representem certezas, possibilidades e possíveis soluções, na esfera dos cenários da vida mundana.

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HISTÓRIAS DE UM CADERNO BRANCO EM CAPA DE COURO

FUTURE ISLANDS | HAUNTED BY YOU

Acordou com um poema torto na cabeceira. Não se recordava de o ter começado, mas ali estava ele, a gritar por sentimentos, estampado na face de uma página branca num caderno despido, de capa de couro.

Mal conseguia dizer merda qualquer, a garganta cheia de versos em novelo. António era todo ele um desperdício de frases sem sentido, que se haviam estilhaçado nas paredes dentro de si, talvez a dormir, talvez.

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A MANHÃ DESSE DIA QUE COMEÇA

CRAIG ARMSTRONG | THIS LOVE

Ela abriu os olhos, acordou o corpo, numa madrugada chovida lá fora, em gordas gotas choradas por um céu azul.

À sua volta, sem a acordar, tinham nascido e crescido poemas em flor, em canteiros que se haviam arrumado no seu quarto, enquanto descansava o corpo e a alma.

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O RAPAZ DAS VÁRIAS VIDAS

MXMS | PARIS

Um sonho, um sonho mais e vou-me embora de ti para sempre.
Para um planeta qualquer que tenha anéis, quatro luas e dois sóis.


Por quem és? Por mim não és certamente, pois tudo não vale nem a pena.
E a alma, essa, vai pequena, e se brinco é porque há coisas em mim,
Das que não quero levar a sério.

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A WIRELESS KIND OF LIFE

OPERATORS | SHAPE OF THINGS

As lâmpadas de toda a casa controlam-se numa app: a sua intensidade, temperatura e até o tom, por uma app. Posso acender luzes e apagar estando em casa de amigos, para espantar a ladroagem ou apenas assustar a empregada.

A televisão, quando se liga, tem uma app que permite navegar por todas as suas funcionalidades, umas mais úteis que outras.

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SPRINGOLOGY

THE AVENER & MAZZY STAR| FADE INTO YOU (THE AVENER REWORK)

They found themselves in the soft warm of the fields where wildflowers opened up for the Spring.
He told her that he was waiting to read her soul, deep in her eyes, many poems ago.
She kissed his cheek, then she touched his lips with her will.
And the rain started to smile in the sunny day.

SOBRE O CERTO, O MEDO, E O BELO

GHOSTPOET | I GROW TIRED BUT DARE NOT FALL ASLEEP (EDIT)

A fria previsibilidade com que ela se mostrava, não dava lugar a qualquer imagem bela de memórias e surpresas que pudessem reviver-se em António, como que por uma fraqueza de coração a que era alheio.
Uma fraqueza feita de medos, defesas contra a história de um tempo, fazendo-o questionar-se como podia ter habitado uma clausura de tão grandes muros de desconhecimento.
António recorda as palavras “desconfia muito de quem nunca é capaz de confiar”. E António, que se renovava para voltar a desejar, a acreditar, tantas vezes colhendo as mesmas desilusões?

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CANDEEIROS LEVA-OS O VENTO

RHYE | COME IN CLOSER

Debaixo da sombra de meia garrafa de um robusto e aconchegante tinto, numa noite de frio sobre frio, ele deu com ela num banco no jardim do Príncipe Real. Ela chorava algo ou alguém, ou talvez fosse só a sua reacção ao frio que se soprava rajadas intermitentes, arrastando com ele um gelo vindo do norte.

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ASSUMIDAMENTE INCÓGNITO

WORKING MEN’S CLUB | BAD BLOOD

Encontro-te na cave, nesta linha de baixo, no dance floor das noites que se fazem por esquecer, tantas e tantas vezes sem sucesso. Mas há sempre a música, os locais para que nos transporta o grave baixo, os alter egos que acordam em nós, and so on and so on. A voz e a guitarra, lá está, seguem a linha de baixo que comanda os destinos, as delas, o teu e o meu. E tudo são luzes que se fundem em cores impossíveis, pessoas em movimentos slow motion, sombras contra a luz ou corpos luminosos a favor dela. E nós, na brava dança de corpos que dão tudo, mágoas deixadas à porta de casa, num caixote qualquer, entregamo-nos numa luta corpo a corpo que se faz de paz e desejo. Estas eram os noites passadas, em dias de fumo e fogo, na cave de um clube nocturno a que desejamos vida eterna.

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À BEIRA DE UM BOM LIVRO

KID WISE | HOLD ON

” […] A vida ensinara-me isto: o inferno da humanidade é a humanidade. Podem bem existir centenas de doenças capazes de acabar connosco, centenas de caminhos para a nossa ruína, mas tudo isso não é nada comparado com a devastação que nos pode causar outro ser humano […]”

Ahmet Hamdi Tampinar, em “O Instituto Para o Acerto dos Relógios”, ano de 1954