Arquivo de etiquetas: INDIE ROCK

NOT EVERYBODY LOVES ME AND I´M OK WITH THAT

THE COMMUNIONS | OUT OF MY WORLD

Perguntou-me se gostava de Radiohead como quem testava o meu nível musical, tendo percebido que não gostando teria para ela um nível abaixo de zero.

Respondi-lhe com este tema dos Communions e disse-lhe que detestava Radiohead, mas que lhes reconhecia o mérito de, em casos específicos de jantares com franco abuso de vinho tinto, daqueles de um gajo ver tudo a andar à roda, colocava a hipótese de Radiohead poder revelar-se afinal (a confirmar claro) um método bem menos evasivo que meter os dedos à boca.

A WIRELESS KIND OF LIFE

OPERATORS | SHAPE OF THINGS

As lâmpadas de toda a casa controlam-se numa app: a sua intensidade, temperatura e até o tom, por uma app. Posso acender luzes e apagar estando em casa de amigos, para espantar a ladroagem ou apenas assustar a empregada.

A televisão, quando se liga, tem uma app que permite navegar por todas as suas funcionalidades, umas mais úteis que outras.

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NEM TUDO O QUE ÉTER CURA

KURT VILE | ONE TRICK PONIES

Ouvia os discos como lia os livros, do princípio ao fim, não sabia saltar uma música nem mudar de disco a meio, como não conseguia ler dois livros ao mesmo tempo. Um dia apaixonou-se por uma mulher e havia uma canção, como que a banda sonora deles. Um dia ruiu o amor, ruiu a vida como a conhecia e como a sabia viver, caiu-lhe a música do coração abaixo, desfazendo-se em mil notas sem sentido, no chão daquela que era a casa deles, agora apenas quatro paredes a que não ousava chamar de casa. O desgosto foi mortal, nunca mais ouviu um disco. Ensurdeceu para melodias numa trágica existência povoada de fantasmas que habitavam os livros de capa dura que lia do princípio ao fim, à luz fria de um candeeiro de cabeceira. E tudo era um éter suportável pela tristeza em que se tornou. Não regressou nunca.

SOBRE ir PASSEAR O CÃO

BALTHAZAR | YOU WON’T COME ARROUND

Não sabes de quantas primaveras se faz a história destes rapazes, diz-te o Discogs que editaram o primeiro single há 12 anos, como não sabes o dia não lhes sabes contar as primaveras, mas pouco importa. O que importa é que te bem dispõem, que te fazem sentir a inocência de que se faz a dada altura a música de uma banda. Acontece que inocência artística não é bem o que se pode encontrar neste projecto Balthazar, já que a vocalização e escrita dos temas está a cargo de Jinte Deprez, que tem também o projecto a solo J.Barnardt lado a lado com o talento musical de Marteen Devoldere dos Warhause.

Assim, há uma sobreposição de primaveras que totalizam mais tempo do que te possa parecer, num conjunto de excelentes experiências musicais e que convergem nesta musicalidade arejada e oxigenada de Balthazar, fácil de digerir com qualquer prato. Não conhecias Batlhazar, mas não é coisa que vás esquecer, sendo até projecto que recomendas.

E é por isto que todos os dias, de madrugada, levas a passear os auscultadores, juntamente com homens e mulheres, miúdas e miúdos, que levam os seus cães a fazerem as suas necessidades e a desentorpecerem as patas e as costas. Um dia destes levarás um cão teu chamado Miles, e juntos educarão cães e pessoas a musicar as passeatas matinais e de fim de tarde, só porque o saber não ocupa espaço, principal e generalizadamente nos animais, já as pessoas põem muitas resistências às coisas novas e às novas formas de as fazer (as coisas, claro).

IR AO CINEMA NUM VIDEOCLIPE

VIAGRA BOYS | CREATURES

Os Viagra Boys fazem parte desta corrente que nasce dos novos ramos da árvore genealógica do Punk Rock. Este ramo é de 2021 e o seu videoclipe podia perfeitamente ser uma curta do Wes Anderson, só que não, o videoclipe que é digno de ser chamado de “uma curta” é realizado pela SNASK, uma criativa produtora Sueca de Estocolmo.
Vale a pena dar uma vista de olhos ao trabalho desta SNASK: https://snask.com/our-work/

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FRUTA DA ÉPOCA

WIDOWSPEAK | ROMEO AND JULIET

Será que isto de andar a tropeçar em bons covers será sintoma de alguma anemia?

Things are getting pretty serious… Just saying…

Estes Widowspeak são bons! Valha-me Deus, se são!
Aqui o primeiro single de 2021 publicado no Songs and Words of Love and Hate.
É fruta da época, como se quer, biológica e pronta a consumir.
É não deixar estragar se faz favor.
E nada que agradecer, estamos cá para isso.

SLOW TIME MACHINE

THE SLOW READERS CLUB | LUNATIC

Velhos os tempos, novas as vontades, presentes as saudades, como se tudo te pudesse acontecer novamente, com os mesmo ingredientes, mas com outros prazeres. Uma máquina do tempo, talvez, que te leve ao passado com tudo aquilo que trazes hoje na experiência e no saber.

Às vezes apetece-te ser o mesmo outro que foste um dia, mas escusas-te a ter o trabalho que te fez chegar ao homem que és hoje. A música é ainda uma boa máquina do tempo. E essa sim, faz-se nova com todo o saber acumulado de anos e anos de outros sons, mergulhada em influências que te fazem viajar por mundo incríveis em apenas segundos em que fechas os olhos para lhe dar atenção.

Faz boa viagem, passa num instante mas não parece. O bilhete é sempre barato, nunca sai caro e compensa. Aproveita cada nota, cada linha de baixo como seu o mundo se fosse fazer apenas de agudos.