Arquivo de etiquetas: O MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DO COSTUME

O MUSEU DA HISTÓRIA NATURAL DO COSTUME

FUTURE ISLANDS | FOR SURE

Não é por amanhecer mais tarde ou mais cedo que os dias são todos diferentes.
Não é por as noites terem mais estrelas ou nuvens que as escondem, que os dias morrem todos diferentes.
Não é nem pelo frio nem pelo calor que se faz a diferença entre todos os dias, os que nos escolhem ou nos abandonam.
Nada disso são mais do que consequências da organização do universo que nos abriga e nos dá o chão.


Cada um vê nos dias e nas noites, afinal, aquilo que traz dentro de si,
Que é aquilo que faz o que de si se faz.
Somos tão diferentes entre nós que qualquer semelhança é um caso de estudo,
Uma coincidência em que qualquer semelhança com a realidade é pura influência ou contágio,


Somos a cura uns dos outros, mas com o comportamento infanto-senil de quem não toma o xarope porque tem um amargo de boca,
Mas vamos longe, tão longe como podemos, cada vez mais longe uns dos outros,
Cada vez os prédios são mais altos, com mais gente e sem vizinhos que saibam quando vamos estar ausentes para nos guardarem a casa,
E só nos bairros pobres as crianças brincam na rua e ninguém se apercebe que brincar na rua é um sinal exterior de riqueza.

E assim empobrecemos todos, igualmente, apenas de formas diferentes,
Enquanto no imediato todos lutamos pela gorda galinha, que no final se resume a algo palpável e mensurável, apenas,
E como gostamos e valorizamos tudo aquilo que se pode medir e pesar,
Abdicando dos sonhos imateriais, remetendo-os para caprichos do indivíduo e do seu inconsciente.

É assim que impera o inconsciente sobre o nosso comportamento, cedemos ao seu capricho para ficarmos mais leves e sermos mais velozes na corrida à galinha,
E damos assim um confortável e seguro lar ao ego e uma liberdade negligente ao inconsciente,
E os dois, juntos, conspiram contra o nosso verdadeiro e fundamental sucesso, a que esporadicamente chamamos “ter o controlo sobre o que na nossa vida podemos controlar”.
Mas não, escolhemos viver no medo de tudo o que não podemos controlar e na insegurança de tudo aquilo que podemos, mas não sabemos.

E agora que há fundos de investimento para tudo, para a saúde e para a doença,
Não houve uma alma que, sem ter que se resumir a fazer caridade aqui e ali, criasse um fundo de investimento para o autoconhecimento, para que todos nós percebêssemos, de uma vez por todas, que somos mais todos iguais do que somos diferentes.
As diferenças entre todos edificam-se fora de nós e entram-nos pela alma como uma gripe, nunca nascem de dentro para fora.

Não conseguimos sequer aprender e imprimir no curso dos nossos acontecimentos que esses filhos que nascem de dentro para fora resultam num amor incondicional,
Difícil fazer um boneco tão fácil de compreender, para depois replicarmos esse tipo de afectos com os outros, com as coisas, praticarmos a tolerância para com todos os caminhos que tenham coração,
É neste ponto de evolução, individual, tão massiva e colectiva, que estamos neste momento da nossa existência,
Como carneirada cheia de si que sem sabendo apenas espera que o universo nos varra do chão para começar tudo outra vez mas em melhor.

Aqui aplica-se o conceito, na minha opinião, da idade e de envelhecermos. Vou falar em causa própria, mas partindo do principio que dentro e no fundo de nós somos todos iguais,
Trocava a minha idade para ter quinze anos outra vez e poder brincar na rua e não carregar em pleno essa coisa da responsabilidade?
Deus me livre, e ter que abdicar de todo o trabalho que me trouxe aqui e ter que aprender tudo outra vez?
Gostava mesmo era que pudéssemos colectivamente recorrer ao fundo de investimento para o autoconhecimento e não ter que ser o próximo esqueleto de museu que junta pessoas desse novo mundo doidas para me registar para memória futura.