Arquivo de etiquetas: O RAPAZ DOS POEMAS EM PEDRA MÁRMORE

O RAPAZ DOS POEMAS EM PEDRA MÁRMORE

MILES DAVIS | BLUE IN GREEN

O miúdo fazia versos a metro no autocarro, já no metro autocorria atrás dos sentimentos e brincava com as palavras como se elas fossem um carrossel de letras, uma pedra que esculpia a escopro de sonhos em leves pancadas feitas de amores, azares, sortes, saudades e desamores. Saía o que saía, embrulhava tudo em papelinhos de um branco amarelado, tirados suavemente e com cuidado de um caderno que o pai lhe havia deixado, apenas com um poema na primeira página, o único poema de um homem que de poesia nada sentia, um homem que falava em algarismos que organizava no seu arrumado coração que jamais saía do peito fora para ir apanhar ar. Um poema que tinha escrito no dia em que António nascera, logo berrando, logo gritando em versos fora de rima, compreensíveis só por ninguém.

Continuar a lerO RAPAZ DOS POEMAS EM PEDRA MÁRMORE