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PALAVRAS EM TELHADOS DE VIDRO

ELEMENT OF CRIME | YOU SHOULDN´T BE LONELY

Como se as palavras pudessem ser apenas elas mesmas,

Como se não fossem elas uma promessa,

Um compromisso com a acção,

Uma esperança, dor, ou declarada intenção.

Fossem  as palavras vazias de uma só voz,

E não teríamos nós nunca chegado tão longe.

Quando um se diz ser um homem de palavra,

Explica-se então o alcance da palavra,

A relevância de tudo o que é dito, escrito.

Mas a bebedeira instala-se, por vezes em demasia,

Entre as letras que constroem as palavras,

E toda a mentira é então uma ébria palavra,

E toda a palavra é em si uma promessa,

Enigmática, ouvida por cada um, de formas várias,

Essa mesma palavra dita apenas uma única vez por quem lhe dá vida.

Assume então, essa mesma e única palavra, tantas promessas diferentes,

Até contrárias, contraditórias, desmentindo-se de pessoa em pessoa,

De verdade em verdade, até se fazer mentira.

Ensina-me então o caminho das palavras,

Assim como me ensinaste o caminho das pedras,

Porque se as pedras magoam, mais ferem as palavras.

Veja-se quanto pode magoar uma pedra nunca lançada,

E olhe-se o efeito devastador que pode ter a palavra não dita.