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PUTA DEMOCRACIA, A QUANTO OBRIGAS

COUNTING CROWS | HANGINAROUND

Cara democracia,

Espero que não tenhas contraído o vírus maldito do Covid-19. Perguntar-te como estás de saúde não vale a pena pois sei-te mal há muitos anos, e tenho assistido à falência dos teus orgãos vitais com um aperto no peito. És o maior fracasso para as expectativas de todos aqueles que por ti lutaram e pelos que sobre a tua égide nasceram e têm vivido, todos na esperança que atinjas uma maturidade, como se o teu destino estivesse nas tuas mãos e não nas mãos de gerações de oportunistas que se têm regalado às tuas custas e garantido para eles uma estabilidade e segurança, bem como para as gerações vindouras das suas famílias chegadas e amigos.

Sabes que há anos que te digo na cara que apenas deves esperar um destino de falência, por falta de crédito bancário, social, e há anos que digo que serás tu o bode expiatório da ascensão de uma nova geração de oportunistas mas, desta vez, já que ninguém consegue extorquir mais à liberdade, terão de viver à custa da falta dela e de uma autoridade total, sem limites, desenhada à régua da escolha entre bons e maus, e a um esquadro de injustiças contra as quais será difícil lutar, proibido contestar e criticar.

És a maior empresa de gestão de recursos humanos, financeiros, das liberdades e deveres, com o plano estratégico mais bem desenhado, mas és a maior falência da história do mundo moderno. E porquê, se não tens concorrência, foste desenhada para ser um monopólio sem os poderes nefastos dos monopólios económicos, pensada para dar voz a todos, até aos que não podem falar? Porquê? Tinhas tudo para prosperar.

Claro que sabes tão bem quanto eu o porquê. Na verdade não tens sido governada, antes tens governado tu as vidas dos que supostamente deveriam fazer o governo da tua casa, escolhidos cada vez por menos e cada vez mais escolhidos por falta de comparência do que por actos de vontade e convicção. Porque já ninguém acredita em ti, indirectamente, é certo, mas no final do dia o resultado é o mesmo.

Perdeste a batalha da justiça, a corrupção põe-te debaixo do braço como um peluche de uma criança e remete-te para casos de roubos de arrecadações, infracções de trânsito, bandidos pobrezinhos que não estão em posição de grandes roubos. E repara que sempre que aparece alguém empenhado em mudar isso, os parolos que te representam juntam-se todos e fazem-lhe a vida negra até que esse herói fique sem crédito, sem coragem, ou apenas com vontade de ser feliz e pronto, pouco interessa no que resulta, interessa mesmo é que para esses nada resulte.

Também perdeste a batalha da educação porque o teu sistema é permeável a que os pobres de carácter e de mundo, e já agora deixa-me sublinhar “de mundo”, porque te tens feito representar por uma vasta cambada de parolos sem experiência de vida, sem “soft skills” para mais do que gerir negociatas de feira ao ar livre para venda de “bibelots” e pechisbeques vários, pelo que nada mais lhes resta que andarem a cravar almoços a quem tem dinheiro para os pagar, porque como qualquer parolo que se preze, pode-lhe faltar a educação, a inteligência e a capacidade de fazer algo relevante, mas nunca lhes falta nada que lhes caia mal na aparência. Tens sido exímia em proporcionar-lhes as aparências, para que pareçam aquilo que nunca foram, querem ser, mas também nunca o serão na verdade. Mas como não há justiça também não temem o juízo, e até mesmo os crentes em Deus e que acreditam no juízo divino jamais se conseguem rever a serem privados seja do que for, condenados seja pelo que for, tal é a bebedeira da parolagem.

E assim tens sido um joguete ao serviço das aparências destes inúteis. Não quero retirar o papel que as pessoas deste pequeno mundo que é Portugal, mas que ainda assim é bem maior que o circulo dos meus amigos, dos amigos dos meus amigos e dos personagens da vida social, a real e a virtual, a das revistas e a dos círculos intelectuais, académicos, enfim, todos os que podemos ver. Há uma larga camada de pessoas que são invisíveis apenas por não terem nada de sensacional para mostrar.

A maior parte da população, essa que não vai votar porque acha que não vale a pena, não percebe, ou não quer perceber quando o sol se faz quente, a chuva se faz molhada, o clima se faz frio, o fim de semana tem um feriado, que não ir votar não é o contrário de ir votar. Não ir votar é fácil e legitimamente confundivel com “não sei; “não quero saber”; “façam o que bem entenderem comigo” ou mesmo “estou-me a cagar para a política”.

Pois é senhoras e senhores, assim a política e os políticos também se estão a cagar para vocês, e agora? Também não sabem, não querem saber, fazem o que bem entendem convosco. E então? Não tivessem vocês a sorte de haver um número inferior às cabeças contadas na vossa irresponsabilidade e já estariam todos presos só por dizerem uma bacorada qualquer que não caísse bem a um anormal qualquer que vos governasse.

Eu? Se voto? Em quem? Eu, infelizmente, há anos que não me sentindo representado por nenhum exemplo por que sinta admiração e confiança, que mude o sentido do jogo (das pessoas para os políticos / dos políticos para as pessoas) não vou à praia sem ter ido votar, não vou para fora da cidade e se alguma vez estive fora do país, pois não me recordo. Há anos que me levanto e saio à rua de t-shirt, guarda-chuva ou o que for adequado, para ir fazer um voto nulo, sabendo que se um dia os resultados eleitorais fossem 40% dos votos repartidos pelos partidos e 45% (vá….) de votos nulos, escusavam os comentadores das noites eleitorais de tentar interpretar a abstenção como lhes convém a eles e aos seus amigos, sendo que todos, mas principalmente os partidos e os os seus soldadinhos de latão, teriam que confrontar-se com uma resposta diferente, que poderia ser lida de várias formas mas sempre entendida como: “Estamos vigilantes, vocês não nos representam, mudem esta merda porque nós estamos aqui a ver-vos e não estamos a gostar do que estamos a ver”.

Porque é para isto que nasceste, Democracia.
Mas hoje obrigaste-me a ir às urnas e votar mesmo em alguém, tal é a falência em que te encontras. Apenas porque sei que não obstante a merda em que estamos mergulhados, as coisas podem sempre piorar. E não é preciso sermos inteligentes para percebermos esta possibilidade, ela acontece-nos várias vezes e em vários planos da nossa vida: Não obstante a merda em que estamos mergulhados as coisas podem sempre piorar!

E foi por isso que me levantei do meu sofá, fiz uma pausa em tudo o que tinha para fazer, para ir votar, desta vez num mal menor. Votar num mal menor é dos buracos mais tristes onde podemos cair. Bem, se calhar não é…. porque não obstante a merda em que estamos mergulhados as coisas podem sempre piorar.

Deixo-te uma música alegre e bem disposta porque deves andar toda amachucada.

FRUTA DA ÉPOCA

WIDOWSPEAK | ROMEO AND JULIET

Será que isto de andar a tropeçar em bons covers será sintoma de alguma anemia?

Things are getting pretty serious… Just saying…

Estes Widowspeak são bons! Valha-me Deus, se são!
Aqui o primeiro single de 2021 publicado no Songs and Words of Love and Hate.
É fruta da época, como se quer, biológica e pronta a consumir.
É não deixar estragar se faz favor.
E nada que agradecer, estamos cá para isso.

OS CAMINHOS DE JOE E DANNY

VINCE GUARALDI TRIO | LIKE A MIGHTY ROSE

Enquanto fumava um longo charuto, que lhe havia sido oferecido pelo xerife da última terra por onde tinha passado há já quase uma semana, altura em que se fez aos caminhos dos desfiladeiros, mas só depois de ter salvo a vida ao xerife e a dois dos seus subalternos, encantava-se com o luar e as estrelas que pintavam o céu no manto de escuridão que emanava da terra, deixando o firmamento a nu.

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UMA HISTÓRIA SIMPLES

HANNAH GEORGAS | PRAY IT AWAY [FEAT. MATT BERNINGER]

Se há coisa que nunca fez foi falar sozinho, por muito que estivesse que estar sempre a falar, era mais forte que a sua inquietação, imaginação e necessidade de partilha do pensamento. Para tal criou três pseudónimos e fez questão que dois deles fossem mulheres, ficava mais equilibrado assim: dois homens e duas mulheres.

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“COVERS” OU NÃO “COVERS”?

NATION OF LANGUAGE | GOUNGE AWAY [PIXIES]

São raros os “covers” que me convencem à categoria do “respect”.
Eu diria que um “cover” de Pixies seria impossível fazer com que tal acontecesse. Bem, em boa verdade é “practicamente” impossível. E a explicação é simples e a minha falta de imparcialidade também: é uma das bandas da minha vida, como a maior parte das bandas da minha vida foram-nas porque criaram uma sonoridade muito própria e criaram no universo da música um espaço só delas, porque os temas eram na esmagadora maioria dos casos muito bons o que lhes conferia uma consistência que está ao alcance de muito poucos (nunca era igual, mas trazia um fio condutor ou denominador comum que funcionava como uma marca d’água que os autenticava como obra de arte).

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THE END OF TECH REVOLUTION IS ALSO A REVOLUTION.

I LIKE TRAINS | THE TRUTH

Parece que isto é “post rock” e “indie rock”.
Boa! Que Seja!


Post rock é uma cena que jamais deverá ser confundida de um ponto de vista histórico com “new wave” ou “pós punk”, caso contrário, levamos um downgrade de velocidade na transmissão de dados, tanto no upload como no download, ouviram meninos? Os meninos dizem: “Siiimm!!” – Acontece que os “meninos”, esquece-se a professora holográfica que dá aulas à turma (em casa de cada um, em casa de todos) são hoje uns matulões de 50 anos, que fazem ginásio todos os dias, fazem dietas, discutem dietas e tomam gotas que lhes queimam a gordura toda e sabem já que só vão morrer lá para os 140 anos. As suas mulheres têm filhos até aos 80 anos e só lá para os 85 é que começam os sintomas de menopausa.

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