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A HISTÓRIA DA FÉ E DA FEZADA

STILL CORNERS | STATIC

Percebes agora meu amigo porque a fé não deve ser submetida ao desastre dos homens? Percebes agora porque sempre te o disse que estes conspurcam qualquer vontade de justiça divina quando a têm que escolher entre um par de cobres? Um homem pode nascer para crescer aprendendo que as pessoas desiludem muito, que faltam à sua honra com o mesmo desrespeito com que deixam um qualquer nobre homem sentado numa cadeira aguardando pela chegada da sua sobranceria, mas jamais se educa a ele próprio para que se lhe desaponte a graça e lhe caia a estrutura de valores por causa de uns pobres beatos coitados que perante a escolha da estrutura de nobres valores que lhes foram (mal) transmitidos, e que em contaste com o brilho de duas sujas moedas de latão, não hesitam e correm aos tropeções atrás das toscas rodelas de latão, trôpegos na ganância, aliviando a carga dos profundos valores para lá chegarem mais rápido, assim como um barco larga a carga ao mar para chegar mais depressa a terra.

Não consigo imaginar que sentimentos despertam na almofada que lhes suporta o peso da ganância, coitada, da almofada, claro. Imagino-a com as penas encolhidas por tamanha vergonha alheia.
Por isso te disse sempre que a maior parte daqueles que se juntam para celebrar a fé cumprem, na esmagadora maioria, um ritual social, não de fé, e nesses lugares eu não marco presença, amigo, o meu compromisso é com Ele, não com as famílias e amigos, trajados de Domingo. Porque para grande tristeza da espécie tudo ali nasce ao Domingo para ser morrer e ser enterrado às três pancadas à Segunda-Feira.

Assim, tais celebrações nada celebram de dignidade e de solidariedade e mais valia não servirem de exemplo ao exercício da fé. E assim como a democracia, vai também a tua igreja – não a minha, que essa não tem paredes – perdendo bons voluntários, porque cada homem que é enganado por um crente, são menos dois ou três que a tua igreja perde em nome desse homem.

Ao contrário do rapaz que fala com Ele, não para ver ou ser visto por alguém que não Ele mesmo, que Lhe fala em privado, em pacata descrição na sua casa, que está certo que só na verdadeira humildade da prática do bem e sem pré-conceitos e sem pré-juízos, se leva alguém até Ele.

Pobres os que se servem D’ele, mas Ele saberá para quê o representam de tal forma, e onde chegarão, disso eu não tenho dúvidas meu amigo, e muito respeito todos aqueles que o servem sem alarido e vaidade.
Cada vez mais me convenço que muitos crentes vão à casa de Deus apenas porque não tem a sua casa em condições de o receber.