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BY THE HAND OF A LAUGH

YAMANDÚ COSTA & VALTER SILVA | REVENDO O PASSADO

I’m sure I didn’t hurt your feelings, but did I mess your heart?
Did I hurt somebody even without knowing nobody?
Or did I mess the truth wthout a single lie?
Should I be sorry? Would you tell me if I did?
Well, I guess not, but… did you hurt yourself playing?
Should I be worried about the consequences,
Of a beautiful song or five?
Well I guess not, but am I just gessing things after things?
Or should I just let the time goes by?
Sometimes innocence, ironically, is full of guilty pleasures.
Sometimes trains don’t get you where you wanna go,
Just take you where you’re supposed to be,
Even when you find yourself inside a lost train.
Are you in some kind of “point of no return”?
Will you be back soon, or we just died by the hand of a laugh?
Should I say “sorry”, or should I be sorry?


A PESTE A CÉU ABERTO

STEPHAN MOCCIO | OW

Nas cordas deste piano há mais mundo que nas notícias,
Que te inundam o pensamento e te arrasam a esperança.
Porque há cidades a preto e branco que definham sob um céu azul.
Há medo, há medo de ter medo, e há lobos que de medo se alimentam,
Ferozes, que percorrem a cidade branca, que já se espraiou um dia,
No rio de felicidade que edificava já um modesto orgulho.
Mas a morte acordou e foi para a rua, impiedosa,
Aos olhos de quem a vê,
Mas pelas costas dos que escolheram negar a sangria,
Mas que seguiram o mesmo rumo que todos, incrédulos, em negação,
Não sabendo, idiotas, que a morte não joga jogos de sorte e de azar.
É bruxa que acerta e não concerta planos com ninguém,
Só os lobos rondam a morte, à distância, a medo, esperando de fome.

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POR-SE EM JAZZ A PÉ DE SAMBA

BADEN POWELL | DONA BARATINHA

Há algo em Baden Powell que faz dele, e reclamo para mim o direito de achar isso sem medo de ninguém, um dos melhores do mundo na viola. Sim, a bossanova é umas das melhores invenções no mundo, quando se fala de música, inspira muita pista de dança de beat electrónico, mas Baden Powell ocupa neste território da bossanova, chegando a transcender a bossanova, um espaço inigualável.

Hoje, em conversa telefónica com um amigo que partilha esta doença da música comigo em níveis muito semelhantes (espero partilhar quarto de hospital com ele se um dia isto der em caso de internamento), falávamos de Paco de Lucia, da sua genialidade, de ser sem dúvida o maior, de tocar o “Concierto de Aranjuez” com viola de 20 cordas, e de mesmo quando toca sozinho com uma viola de 6 cordas (que é em quase toda a sua obra) parece que ouvimos 3 violas a tocar ao mesmo tempo. Só que não, são apenas 5 dedos em cada mão de um homem só. Só, quero dizer… não sei se alguém que toca viola daquela forma pode alguma vez sentir-se só. Não devia.

Baden Powel é diferente, mas tal como Paco, coloca uma energia física absolutamente surpreendente nos seus temas mais enérgicos e, sim, somos levados muitas vezes a jurar que há ali mais um violão ou outro a compor a coisa, mas não, o homem enche qualquer palco de qualquer sala do mundo apenas com um violão de seis cordas nas suas mãos. Notem que falo no presente porque estas pessoas não morrem simplesmente e já está – não – estes senhores deixam tal legado que estarão sempre entre nós. Ora é do conhecimento de qualquer um que tenha o a-b-c da ciência (que é não saber practicamente nada sobre ciência) que os que estão entre nós é porque não estão mortos.
Eu posso garantir que quando ponho a tocar um vinil ou um cd no meu sistema de som, tanto o Paco como o Baden estão na minha sala, eu eu não acredito e fantasmas nem nada dessas coisas.

Eu sei que há o criador João Gilberto, a tocar genialmente o violão há o João Gilberto, o Jorge Ben Jor, o Sérgio Dias, o Kiko Loureiro, o Armandinho, mais uns dez que conheço e mais umas dezenas que eu não conheço, bem como certamente umas centenas (de milhares) que ninguém conhece mesmo, mas que existem quase a cada esquina do Brasil, mas depois há o Baden Powell, pronto, sem medos, assim. Está dito.