THE DIVINE COMEDY OF A CHARMING STORYTELLING

THE DIVINE COMEDY | A LADY OF A CERTAIN AGE

Há bandas maravilhosas, que somam talentos na sua formação, que fazem de um concerto um momento de espectáculo, que criam no espaço de duas horas uma relação com o público que chega a ser íntima. Há bandas que a multiplicar por tudo isto, compõem canções sem data, capazes de serem ouvidas em qualquer década, como um aparador de design nórdico consegue prometer a quem o compra que será actual até ao fim dos dias ou como um fato de bom tecido, de qualidade, discreto e de bom corte que sabe que pode ser usado durante mais de uma década sem perder a sua elegância e muito menos a cabeça, destruindo-se em mil ideias sem sentido.

Depois há bandas como os Devine Comedy que nunca saíram de moda pela simples razão de que nunca habitaram esse território de tendências e contra tendências. Nunca tiveram que correr atrás do prejuízo porque estão para a música como Norman Mailer está para a literatura. Têm uma narrativa que acompanha a sua música desde sempre, é altamente coerente sem ser repetitiva como uma reposição de um filme que se transmite na televisão todos os anos, a propósito do aniversário de algum acontecimento festivo com mais um menos importância histórica. Não, contam uma história, coerente no seu património cultural e no seu universo estético, que evolui em garrafa como só os melhores vinhos tintos conseguem, o que os torna uma banda única, sem paralelos e que não foi nem será fashion victim.

Os Divine Comedy são uma marca de prestígio, que remetem para um universo de valores culturais muito requintados, dando aos seus públicos uma sensação de exclusividade e de individualidade, que nos faz sentir únicos, cultos, de um humor inteligente, de gatilho rápido, sempre oportunos e perspicazes, irónicos quanto baste, dentro dos limites de uma educação extrema, própria de cavalheiros não datados por regras, formalismos bacocos ou preconceitos. Não, somos modernos, progressistas, sem precisarmos de perder as boas maneiras. Assim nos sentimos e identificamos com esta love brand que são os Divine Comedy.

Se tudo isto se expressa na música, estética e actuação da banda, tudo se volta a multiplicar nas suas letras, que são mais um veículo de reforço ao seu storytelling. E aqui não há palavras que definam melhor este fenómeno que as próprias palavras da banda, na letra de um tema que fará vinte anos muito em breve. Aqui se faz a justiça possível a um tema impossível de contornar quando elevamos a música ao estado de obra de arte:

Back in the day you had been part of the smart set
You’d holidayed with kings, dined out with starlets
From London to New York, Cap Ferrat to Capri
In perfume by Chanel and clothes by Givenchy
You sipped camparis with David and Peter
At Noel’s parties by Lake Geneva
Scaling the dizzy heights of high society
Armed only with a cheque-book and a family tree

You chased the sun around the Cote d’Azur
Until the light of youth became obscured
And left you on your own and in the shade
An English lady of a certain age
And if a nice young man would buy you a drink
You’d say with a conspiratorial wink
“You wouldn’t think that I was seventy”
And he’d say, “no, you couldn’t be!”

You had to marry someone very very rich
So that you might be kept in the style to which
You had all of your life been accustomed to
But that the socialists had taxed away from you
You gave him children, a girl and a boy
To keep your sanity a nanny was employed
And when the time came they were sent away
Well that was simply what you did in those days

You chased the sun around the Cote d’Azur
Until the light of youth became obscured
And left you on your own and in the shade
An English lady of a certain age
And if a nice young man would buy you a drink
You’d say with a conspiratorial wink
“You wouldn’t think that I was sixty three”
And he’d say, “no, you couldn’t be!”

Your son’s in stocks and bonds and lives back in Surrey
Flies down once in a while and leaves in a hurry
Your daughter never finished her finishing school
Married a strange young man of whom you don’t approve
Your husband’s hollow heart gave out one Christmas Day
He left the villa to his mistress in Marseilles
And so you come here to escape your little flat
Hoping someone will fill your glass and let you chat about how

You chased the sun around the Cote d’Azur
Until the light of youth became obscured
And left you all alone and in the shade
An English lady of a certain age
And if a nice young man would buy you a drink
You’d say with a conspiratorial wink
“You wouldn’t think that I was fifty three”
And he’d say, “no, you couldn’t be!”