THE END OF TECH REVOLUTION IS ALSO A REVOLUTION.

I LIKE TRAINS | THE TRUTH

Parece que isto é “post rock” e “indie rock”.
Boa! Que Seja!


Post rock é uma cena que jamais deverá ser confundida de um ponto de vista histórico com “new wave” ou “pós punk”, caso contrário, levamos um downgrade de velocidade na transmissão de dados, tanto no upload como no download, ouviram meninos? Os meninos dizem: “Siiimm!!” – Acontece que os “meninos”, esquece-se a professora holográfica que dá aulas à turma (em casa de cada um, em casa de todos) são hoje uns matulões de 50 anos, que fazem ginásio todos os dias, fazem dietas, discutem dietas e tomam gotas que lhes queimam a gordura toda e sabem já que só vão morrer lá para os 140 anos. As suas mulheres têm filhos até aos 80 anos e só lá para os 85 é que começam os sintomas de menopausa.

Os “meninos” são mal criados, são aliás umas bestas quadradas, que comentam que – “A professora está cá com um holograma, cada vez mais sexy e perfeito, man. E isto ao longo do ano vai melhorando, e ainda estamos no final do primeiro período, imagina como vai estar no verão”
E imaginemos a infantilidade destes gajos de 50 anos, aliada a uma estupidez apanhada por uma qualquer bactéria de falta de conhecimento. A sonoridade dos “I Like Trains” pode remeter-nos para universos semelhantes.

“And now, for something completely different”:

Post rock é assim uma cena que poderia ter acontecido na altura em que o punk estava a dar as últimas (padrões com xadrez nunca duram muito, a não ser nos betos, mas é por motivos de conservadorismo) mas o que aconteceu, e foi registado na história como “pós punk”, jamais se pode repetir. E este “post rock”, se o queremos “tagar”para efeitos futuros de enquadramento e contextualização históricos, temos que ceder na febre da categorização. Claro que a organização da minha discoteca em casa organiza-se em função da minha esperança média de vida, muito mais simplificada, portanto…

E entende-se… se a música faz parte da história e a a companha (e faz, e acompanha-a) então talvez tenhamos que aceitar que estes “I Like Trains” sejam categorizados com “post rock”. Já “indie rock” parece-me querer fazer destes senhores uns meninos de coro que não são, têm uma mensagem social e política de que o “indie rock” (salvo raríssimas excepções) não tem, e passam-na através de uma estética musical brutal (brutal no sentido mais literal da palavra, com força, com alguma agressividade). Eu, como não faço juízos de valor à brutalidade, desde que quando ela se manifeste em forma de arte e seja facultativa para o destinatário, acho que o faz muito bem.

“And now, for something completely different” (again):

A verdade é que estou siderado com este disco. E quando penso no que andam aí os “Idles” a fazer (também tão bem) e lhes junto estes “I Like Trains”, e mais uma mão cheia de projectos que ainda vão aparecer por aqui, tendo a adivinhar o regresso de uma música de revolta, com uma agenda social, muito dificilmente politizada. E isso, se olharmos para a história, tem levado a mudanças profundas nas sociedades mais cosmopolitas (evito dizer “ocidentais” porque o mundo parece andar a rodar diferente). Se olharmos para os problemas sociais que enfrentamos hoje, muito diferentes daqueles dos anos da guerra fria, e lhe somarmos um cenário de crise económica e social profunda pressionada por uma pandemia sem precedentes (não está cá ninguém para nos contar outra semelhante) e que põe os regimes políticos e as lideranças das nações e das instituições à prova, não faz outro sentido que não o de aparecerem correntes musicais com menos “glamour” e cerimónias e que, de uma forma enérgica diz em palco o que já se vai dizendo nos cafés, entre amigos, vizinho, entre professores e alunos. E claro que é enérgica, sempre o foi, não basta dizer “basta” com a cabeça baixa ou um sorriso na cara, nem com uma voz monocórdica, certo? Claro que a entoação e a linguagem não verbal, já sabemos, dizem tudo.

Resta-nos a fé na inteligência que temos e não tínhamos, o saber que não tínhamos e que temos agora, e de uma vez por todas separar o trigo do joio, a mentira da verdade (como se esse não fosse dos maiores desafios que temos pela frente)

Descobri isto e estou rendido à força deste disco, à força das palavras de David Martin, às linhas de baixo e teclados e às vozes de coro, que criam juntos um ambiente indústria tech.